Um bom exemplo

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Outro dia, o Gabriel comentou aqui sobre como as coisas podem ser daqui a uns anos. Ideal e real costumam ser contrastes fortes. mas semana passada, tive um vislumbre bacana sobre algo que é como todo o resto deveria ser. Estou falando, acredite, de um serviço público.

Numa cidade onde a poluição permeia o estilo de vida, toda iniciativa em prol de um ar mais limpo é louvável. O problema é que as coisas costumam enroscar nos espinhos habituais – má vontade, burocracia, morosidade e coisa e tal. Com o ControlAr, parece que a coisa é diferente.

A partir de 2009, os veículos automotores têm de passar pelo crivo da instituição, que avalia as emissões de poluentes geradas. O licenciamento do veículo está condicionado à aprovação.

E foi acompanhando uma amiga, numa sexta feira de manhã, que travei contato com o serviço pela primeira vez. Devo dizer que acordar cedo no meu dia de folga pra encarar uma obrigação legal, seja lá qual for, não é meu esporte preferido. O lugar era longe –  na via Anchieta, onde só gosto de passar a caminho da praia. Na minha cabeça, já antevia uma fila enorme, num calor dantesco, com caminhões baforando fumaça preta e funcionários lerdos e mal humorados. Já saí de casa reclamando.

A primeira surpresa veio ao saber que a inspeção tinha hora marcada. A segunda veio quando vi o horário: 10:16. Dez e DEZESSEIS?? Parecia mais o horário de um trem Tokyo – Osaka. Intrigante. Ao chegar ao lugar (que no fim nem era tão longe assim), a constatação de que eu tinha queimado a língua feio.

Com cara de praça de pedágio dessas modernas, não lembrava em nada o pátio caótico e enfumaçado que havia imaginado. Quatro ou cinco filas de veículos, com uns poucos carros em cada. Funcionários uniformizados organizando a formação das fileiras, com cortesia e eficiência.

As surpresas boas não pararam por aí. Após insignificantes 4 minutos de atraso, um funcionário extremamente educado veio pedir desculpas pela “demora”, e explicar com minúcia e clareza o procedimento da inspeção. Trajando jaleco, luvas, botas e máscara, preparou o carro e encaminhou-nos à área de espera, de onde pudemos acompanhar o processo. Teve o cuidado de pedir que não fizéssemos contato com o inspetor – o que me pareceu uma preocupação com a lisura da coisa, para evitar tentativas de suborno, intimidação e etc. A impressão foi reforçada 10 minutos depois, quando, após retirar o carro da área de teste, nos entregou a chave do carro e o certificado de aprovação, à vista de todos.

Vale dizer que a amiga, dona do carro, morou um bom tempo “nas Oropa”, e corroborou minha impressão de que o processo todo foi de uma eficiência comparável ao que se vê do outro lado do Atlântico.

Com a mesma veemência com que descemos a lenha quando olhamos em volta e achamos que está tudo errado, é gratificante poder elogiar algo que funciona. Como tudo deveria ser.

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