Metendo a boca no apito

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Hoje, durante a costumeira sapeada pelos portais, desviando de artigos sobre a páscoa das celebridades, corrida eleitoral e outras baixarias, me chamou a atenção um artigo sobre mais uma das barbaridades americanas no Iraque. O vídeo desmente de forma contundente a versão oficial sobre o assassinato de jornalistas desarmados por um ataque aéreo dos EUA. Deve dar o que falar.

Além da força das imagens (17 minutos de uma crueza aterradora, onde soldados pedem e recebem autorização para atirar em civis, e comemoram o resultado da ação – “Look at those dead bastards…Nice!”), me chamou atenção a plataforma utilizada para a divulgação do vídeo: o (até então por mim desconhecido) WikiLeaks.

“Wiki”, por definição, é um site onde todo mundo mete o bedelho. O exemplo mais famoso talvez seja a Wikipedia, primeira referencia de muita gente, mas também há dicionários, softwares, e até livros sendo escritos a muitas, muitas mãos. “Leak” significa “vazamento” – no caso, de informações relevantes.

O WikiLeaks é um site de uma categoria cujo nome não poderia ser mais apropriado: “whistlebower”, em tradução direta, “soprador de apito”. Ok, eu também lembrei dos doidões de Ipanema, que usavam o artefato pra avisar os demais fumacentos da chegada da polícia.  Mas expandindo um pouco o conceito, chegamos a um tipo de site usado para que pessoas possam tornar publico qualquer tipo de malefício – seja ele cometido pela polícia, chefe, pai, ou ainda por outro cidadão, colega, irmão – sacanagem não respeita hierarquia.

Este é o apito que o WikiLeaks toca. É, digamos, um cagueta do bem (espero que o Bezerra não venha puxar meu pé hoje à noite).

Bancado por doações – que não podem vir de governos ou empresas, ponto para a integridade – o site, de cara simples e frescura inexistente, é apoiado por gente séria como a ACLU (entidade americana de defesa dos direitos civis) e diversos órgãos que lutam pela manutenção da liberdade de imprensa.

Colocar um vídeo-denúncia num site como este, ao invés de fazê-lo em qualquer outro site de upload de vídeos, tem claras vantagens. A primeira delas é o foco. A denuncia enviado ao WikiLeaks não vai disputar espaço com o filme da filha do vizinho dançando igual à Beyoncé. A segunda é o fato de que o sigilo do site jamais foi quebrado – e olha que já rolaram mais de 100 processos na justiça, movidos por gente louca pra pôr as mãos em quem deu com a língua nos dentes. Estas duas características trazem um bônus importante – credibilidade. E por ultimo, a meu ver, a coisa parece muito mais digna do que sair batendo na porta de emissoras de tevê pra ver quem dá mais grana pela bomba que se tem em mãos.

Se sua motivação é mudar o status quo e não ganhar um troco, vá ao WikiLeaks, não ao (insira aqui o nome do seu programa sensacionalista preferido).

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2 Respostas to “Metendo a boca no apito”

  1. Marcio Vieira Says:

    Parabéns pelo tema, Ney.

    Li em alguma revista em alguma sala de espera de hospital, clínica, que o WikiLeakes tem seu banco de dados espalhado em diversos servidores de vários países, com o propósito de dificultar a censura.
    Aliás, tal vídeo esteve na mão da ABC e da CNN, que nada puderam fazer.

    A internet é a maior ferramente de comunicação que existe. Nela não há medos, bandeiras, barreiras ou fronteiras! Viva!

  2. Don’t shoot the messenger « Blog da Pimenta Says:

    […] mensageiro é o WikiLeaks, que já comentamos aqui. Trata-se de um site que se especializa em publicar informação sobre abusos de qualquer natureza, […]

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