Jabulani – a imprevisível leveza da bola da Copa

by

Pense numa vitrine perfeita para seu produto. Um evento colossal, transmitido para cada canto do globo, aguardado por quatro anos. Um evento que mexe com sentimentos profundos, cria e imortaliza heróis e vilões. E, obviamente, associa produtos a eles, que são consumidos com uma voracidade impressionante. Bem vindo à Copa do Mundo Fifa 2010.

É ou não é o sonho de qualquer empresa? Ter à sua disposição os melhores garotos propaganda do planeta, desfilando seus produtos, exibindo suas virtudes? Mas parece que a Adidas corre sério risco de fazer deste show um grande fiasco, comprometendo uma parte deveras importante do espetáculo: a bola.

Tem jogador que não quer ver essa aí nem pintada de ouro (como, aliás, ela estará na partida final)

A Jabulani, modelo lançado pela empresa alemã para ser a bola oficial deste Mundial, teve uma recepção bem pouco calorosa por parte dos atletas. Ok, pode até ser cedo pra dizer o tamanho da encrenca. Mas o fato é que as críticas já começaram. E elas vêm de gente que entende do riscado.

É quase uma tradição: goleiros reclamam de novas bolas. A razão não é difícil de entender – se você fosse um designer de bolas, criaria um modelo que facilita o gol ou a defesa? Nesse sentido, qualquer evolução sempre terá como consequência tornar mais difícil a tarefa do arqueiro. Acontece que os primeiros a reclamar não são exatamente frangueiros. Ao contrário, nosso Julio Cesar, o espanhol Casillas e o italiano Buffon costumam se alternar nas rodas de boteco que apontam quem é o melhor do mundo.

Sobrenatural, horrível, terrível, parece bola de praia, parece bola de supermercado. Vergonhosa. Catastrófica. Podre. Absolutamente inadequada. Estes atributos pouco elogiosos foram disparados pelos goleiros após os primeiros treinos com a Jabulani.

A coisa fica mais feia quando se percebe que a chiadeira não vem só dos guarda-metas. Luis Fabiano, Xavi Hernandez, Zambrotta estão entre os que, teoricamente, se beneficiariam de uma bola, digamos, menos defensável. O problema é que a queixa maior é a respeito da imprevisibilidade da bola. E uma bola imprevisível é algo que ninguém quer. Quando se dá um passe, chute ou cruzamento, você quer saber exatamente onde ele vai parar – e não ficar assistindo à bola fazer 3 ou 4 curvas, e rezando pra que ela caia no pé de algum companheiro. Os hermanos argentinos usaram a pelota em questão durante o torneio Clausura, e alguns gols saídos de tiros de longa distância surpreenderam não só aos goleiros, como também aos atacantes, que comemoravam com uma cara meio incrédula.

A Adidas tem um time de peso pra falar bem da bola: David Beckham, Kaká, Lampard, Ballack, Peter Cech. A opinião destes craques, no entanto, não pode ser considerada isenta: todos eles são patrocinados pela marca das três listras, que começou a fabricar bolas de futebol em 1963. Desde 1970, é a fornecedora oficial da Copa do Mundo, e a cada edição uma bola nova é lançada. Uma das mais aclamadas é a Tango, usada na Copa da Argentina em 1978 – tão boa que seguiu com poucas alterações até 2006.

A aclamada Tango, usada na Copa de 1978 na Argentina

Inegavelmente, a marca é responsável por inovações importantes, como a fabricação da pelota em material impermeável, com altos níveis de esfericidade e pouca ou nenhuma deformação, maior rapidez e controle, e, notadamente, o abandono do uso da mão de obra infantil.

Contudo, a Jabulani – cujo release destaca que ela visa proporcionar “um voo excepcionalmente estável” parece ir na contramão desta tradição. O grafismo, pensado para ser uma homenagem às tribos que formaram A África do Sul, divide opiniões. E a performance, como se vê, também está longe de ser unanimidade.

Talvez, daqui a pouco mais de um mês, tudo isso seja esquecido – os craques se adaptam, os goleiros se conformam, a Copa é um sucesso, e todo mundo fica feliz.

Talvez, no mesmo período, uma das maiores fabricantes de material esportivo do planeta saia do Mundial com um grande arranhão em sua imagem, e a culpa de ter comprometido o espetáculo por ter estragado sua maior estrela – Sua Majestade, a Bola.

Anúncios

6 Respostas to “Jabulani – a imprevisível leveza da bola da Copa”

  1. flaviotanabe Says:

    Em tese, todas as bolas com menos gomos (parece que é uma prática habitual desde 2002) sofreram críticas. Talvez a primeira dessa série (Fevernova, de 2002) tenha passado incólume a qualquer mimimi de goleiros e atacantes. A +Teamgeist (2006) foi apelidada de “Dente de Leite” por ser leve demais. Fabricantes de bolas de futebol para eventos de alto desempenho deveriam se preocupar talvez em ajudar mais a arbitragem do que tentar ajudar a estufar a rede de gols.
    Não é o que a bola faz pelo jogador, mas o que o jogador faz com a bola.
    Ótimo post!

  2. davicury Says:

    Mandou bala, Neyzão! Belo post!

  3. Luciana Says:

    Muito Bom!!!

  4. Felipe Felicio Says:

    Mandou “bola” neyzão……

  5. Henrique Says:

    A JABOLANI É IGUAL A UMA BOLA DENTE DE LEITE!!! Elogiar tal bola é imperdoavél. É o poder economico mandando mais uma vez.

  6. Marcio Vieira Says:

    Vocês estão em greve?? 17 dias sem nada!!
    rs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: