“Boa ação” rende cifrão

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Fornecer equipamento para esportistas de alto rendimento é grande negócio para marcas do ramo. Se a promessa de um melhor desempenho, maior conforto e proteção da integridade física for endossada pelo atleta, é só um passo pra ser desejada pela legião de admiradores que sonham em ter pelo menos a mesma tralha do ídolo.

Agora, o que dizer quando este equipamento se mostra capaz de uma façanha de maior monta – como, por exemplo, preservar a visão dos mineiros presos numa mina do Chile?

Se freqüenta este planeta regularmente, você deve saber do caso de “Los 33”,  trabalhadores que estão isolados desde 5 de agosto a uns 700 metros de profundidade.

Enquanto escrevo, a escavação está a apenas 100 metros dos mineiros, e o resgate deve ser concluído em breve. Trazê-los de volta à superfície envolve considerações quase tão complexas quanto o retorno de astronautas. Uma questão só aparentemente simples é a readaptação à luz solar. Todo mundo já xingou o irmão que abre a janela do quarto de manhã. Agora imagine se você tivesse no quarto escuro há mais de dois meses… Sair no meio do deserto depois de mais de 2 meses de penumbra pode trazer danos irreversíveis à retina.

Lendo sobre estes aspectos técnicos, vi que uma empresa americana especializada em óculos tecnologicamente avançados havia feito uma doação de modelos especiais, que filtram qualquer incidência de luz e dos raios ultravioleta. Na hora, só me veio um nome à cabeça. Uma googlada depois, e confirmei: a Oakley fez mais um golaço de marketing.

Há tempos consolidando a imagem de oferecer acessórios para condições extremas, a empresa alardeia investir quantias astronômicas em tecnologia, e depois embrulhar isso num design bacana. E com o infortúnio dos mineiros, ganharam a oportunidade perfeita pra mostrar que seus óculos não servem só pra fazer o estilo surfistão bronzeado.

A Oakley faz tudo o que manda a cartilha das marcas esportivas: patrocina atletas de ponta, promove eventos. Também permite várias opções de customização para seus produtos. E, num país como a America, ganha pontos ao criar uma linha exclusiva para o exercito.

"Hey, seu talibã, saca só meu estilo!"

 

Agora, as 33 unidades personalizadas enviadas ao Chile subirão à superfície junto com os mineiros – difícil imaginar um “lançamento de produto” mais dramático. Serão documentadas e divulgadas à exaustão, gerarão simpatia pela marca, e virarão objeto de desejo até pra quem nunca planeja pisar no deserto. Tudo isso a um custo unitário de US$ 450. Para a Oakley, custa pouco, e vale muito.

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Uma resposta to ““Boa ação” rende cifrão”

  1. Emmanuel Says:

    Foi a campanha mais barata que a Oakley já fez e com alcance mundial! genial!

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