Estilingues

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Lançado em 2006, o Twitter é hoje, sem sombra de dúvida, um dos maiores fenômenos da internet. Seu começo foi lento, é verdade, sendo tomado, até meados de 2008, apenas pelos early adopters, mas, em 2009, principalmente com a entrada das celebridades (e, logicamente, de seus fãs), o número de usuários já passa de 10 milhões. Sim, 10 milhões.

As consequências desta adoção em massa geram (boas) discussões: Alguns alegam que as pessoas agora estão mais próximas de seus ídolos e marcas, outros entendem que há, por conta disso, uma aproximação e pulverização de informação e conteúdos, gerando uma absorção maior de informação pelos usuários, enquanto que, em posições diametralmente opostas, dizem que o Twitter é uma ferramenta banalizada (ou Orkutizada, como ouvi outro dia) e que não existe um propósito real. E aí, pra onde vai o passarinho? Sobrevive a esta saraivada de pedras advindas das críticas?

Oh my God, they've killed Kenn... I mean, Twitter!

Oh my God, they've killed Kenn... I mean, Twitter!

O que acontece, na verdade, é que nunca haverá algo que seja 100% bom. E, por conta disso, é natural que o Twitter passe por críticas e molde-se aos poucos ao espaço que se propõe estar. E são exatamente os problemas do Twitter que eu me proponho analisar aqui e querer saber se concordam ou não.

Limitação Criativa – A pedra fundamental do Twitter é o seu tweet, um update que deve ser feito em até 140 caracteres. Muitas pessoas são boas em resumir seus pensamentos para encaixar-se nesta “limitação”, mas até onde pode ir seu poder de argumentação neste caso? John Mayer, um ex-usuário compulsivo do site, deletou sua conta exatamente por isso. A possibilidade de explicitar uma ideia mas ser impossibilitado de desenvolvê-la (como por exemplo este post), é uma característica a ser considerada. Em termos empresariais, pode ser catastrófico para uma empresa que precise se explicar quando conversa com seu consumidor através de tal ferramenta e a probabilidade de surgir um mal entendido por uma frase mal construída é bastante elevada;

Círculo Vicioso – Se você tem uma conta no Twitter, sabe quem te segue? Sabe qual o motivo para que estas pessoas escolham fazer isso? Sabe qual a SUA motivação para seguir uma determinada pessoa? O que acontece, por muitas vezes, é que as ideias vão e vem entre um mesmo círculo, por mais distante que possa parecer aquele RT que você deu numa mensagem de um amigo russo que nenhum de seus seguidores conhece/segue. Com o tempo (e a popularização), grupos começam a se formar e se fortalecer, além de, em alguns vários casos, começam a se preconceitualizar, não se abrindo para novas ideias e/ou ideias opostas. Como um usuário comum, isto não é necessariamente um problema, afinal, é a sua rede de amigos, mas, corporativamente falando, pode trazer prejuízos para a imagem da empresa (ou criar um fenômeno em que a empresa dedica-se à uma imagem, mas é percebida de forma diferente por conta das relações que tem);

Trollagem – A atual “modinha” da internet, que consiste em conseguir irritar as pessoas. A trollagem é bem sucedida quando consegue se achar o calcanhar de aquiles da pessoa (ou empresa) que seja o foco e, por conta da possibilidade de anonimato que o Twitter pode vir a proporcionar, aliado ao fato de que existe um número grande de pessoas que adoram dar RT sem pensar, tem se tornado um dos principais problemas do site hoje. Celebridades acabam por mostrar seus destemperos (Neymar, Ashton Kutcher e Danilo Gentili são alguns bons exemplos disso) e abrirem espaço para mais críticas e possíveis danos a suas imagens. O mesmo pode vir a acontecer com empresas: Sempre existirá um consumidor descontente de alguma forma, além de que há, em até um grande número, bons argumentadores/provocadores. A melhor forma de lidar com estas situações é ser claro, transparente e esmurrar a almofada, pra não entrar em um conflito desnecessário, onde o ofendido tem muito mais a perder do que o ofensor;

Todo brasileiro é técnico de futebol – Ok, logicamente não é isso, mas a analogia serve: Todo mundo na internet tem opinião e, através das redes sociais, sentem-se à vontade (e provavelmente até compelidos à) demonstrá-la. A democracia encontrada no Twitter é uma de suas boas características, pois dá aos usuários o mesmo poder de expressão que seus ídolos. Mas, ao mesmo tempo, essa benesse impede que exista o debate: Cada um fala o que quer, quando quer e sobre o que quiser. Querer responder “à altura” para alguém insatisfeito é causa perdida, querer provar que o argumento de tal pessoa é errado é praticamente impossível. Para as corporações, a melhor alternativa seria reproduzir as boas opiniões (mesmo que não sejam 100% favoráveis) e criar uma liberdade maquiada, em que existe o filtro de informações, mas demonstra a proximidade da empresa com seus consumidor;

Followers – Celebridades onlines pipocam todos os dias na internet. Uma frase bem feita, engraçada ou até mesmo tendenciosa pode fazer com que uma pessoa qualquer se torne famosa quase que instantaneamente, graças aos RTs. Porém, são poucos os que percebem este poder e menos ainda os que se responsabilizam por isso (lembro-me da frase famosa “com grandes poderes vem grandes responsabilidades” – vamos ver quem é geek o suficiente pra saber de onde é). Querendo ou não, quem está no Twitter quer ter seguidores. Quanto mais, melhor. Quanto mais estes seguidores forem desconhecidos, mais pode-se auferir o seu sucesso. Porém, quando uma empresa se posiciona no Twitter, sua massa “seguidora” será muito provavelmente de pessoas que gostam daquilo que a empresa tem a oferecer. Manter esta base requer dedicação, proximidade e, acima de tudo, valor. Enquanto pessoas seguem pessoas por suas ideias e pensamentos, pessoas seguem empresas pelos valores agregados. Portanto, entender quem são seus seguidores em potencial é mais importante do que apenas esperar que todos estejam atrás de você.

O Twitter é hoje uma ferramenta consolidada, faz parte da cultura online e, sem dúvida alguma, tem espaço para crescer e muito no mercado brasileiro. Mas, antes de entender quais os benefícios que esta ferramenta pode oferecer, é preciso saber quais os obstáculos que serão encontrados. E você, concorda? Pensa diferente? Opine!

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3 Respostas to “Estilingues”

  1. Cla Says:

    Venho seguindo o blog da pimenta há alguns meses.

    Achei seu post sobre o twitter brilhante! Só não concordo (em parte) com esse trecho:

    ” Em termos empresariais, pode ser catastrófico para uma empresa que precise se explicar quando conversa com seu consumidor através de tal ferramenta e a probabilidade de surgir um mal entendido por uma frase mal construída é bastante elevada;”

    Não há dúvidas, mas vale a pena lembrar que esses twitts normalmente são feitos pelo departamento de Relações Públicas ou seja, profissionais treinados a lidar com o público/ consumidor e a proteger a imagem da empresa, que por sua vez não se explicam somente através do Twitter.

    beijos Gabs!

  2. Cla Says:

    E aaa esqueci de respoder: “com grandes poderes vem grandes responsabilidades” é do Spider-Man haha =P

  3. Antônio Mafra Says:

    Gostei da argumentação e de sua construção. Recomendo que exercite o poder de síntese, twitte-se. Na net, essa condicão sempre será melhor. Tem-se pouco tempo pra leitura aqui.

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