Quando o marketing dá zica

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Urucubaca. Agouro. Mandinga. Nhaca. Ziquezira. Essas palavras fazem parte do vocabulário de muito fã de esporte por aí. O futebol é pródigo em exemplos. Aqui mesmo entre os autores do blog, tem nego que faz questão de sentar-se sempre no mesmo lugar da sala pra ver o jogo, ou usar sempre a mesma camisa. E, confesso, sou daqueles que no estádio vociferam contra o infeliz que grita “Gol!” antes da bola entrar – dá azar. Assim como cantar vitória prematuramente, ou comentar sobre a sorte prévia: “Sempre que venho ao estádio, nosso time ganha”. Coisas que não se fazem, e todo fã de futebol sabe.

Porém, parece que a Topper não sabia. E aí, já viu…

Como foram dar uma mancada dessas? Pô, a Topper é do ramo. No mercado desde 1975, patrocinou a Seleção principal nos mundiais de 1982 a 1990. Perdemos todos, mas deve ser só coincidência. Afinal, forneceu o fardamento dos campeões mundiais Corinthians e São Paulo (2000 e 2005, respectivamente).

Daí, em 2008, a empresa passou a patrocinar a Seleção Brasileira de futsal. Baita oportunidade de atingir o almejado objetivo de reposicionar e rejuvenescer a marca. Àquela época, a equipe já estava há 3 anos sem perder, gozava de grande popularidade e tinha vários dos melhores jogadores do mundo. De lá pra cá, comandada pelo mito Falcão, só aumentou a invencibilidade e a supremacia.

Acompanhe: no futebol de salão o Brasil ganhou 6 campeonatos mundiais, 18 troféus da Copa América, e todos os cinco Grand Prix disputados até esse ano. A sequência invicta chegou a inacreditáveis 163 partidas.

Eis que a Topper, cerca de duas semanas antes da estréia do Brasil na competição, resolve fazer o oposto do que reza a cartilha da mandinga: alardear o bom retrospecto. Botou no ar uma campanha com o mote “…nem se o Brasil perder no futsal” como sinônimo de coisa impossível, absurda, imaginável. E terminava tripudiando, gabando-se da invencibilidade histórica. Adivinha no que deu? Perdemos a final pra Espanha.

Olha a festa dos espanhóis rindo por último

Será que não aprendemos nada com o Titanic (“Nem Deus afunda esse navio” era frase comum)? É tão óbvio como elogiar o tempo em Ubatuba!

Depois de bater, vamos assoprar só um pouquinho. A Espanha está longe de ser uma barbada: também estava invicta há muito tempo (83 partidas), e disputa com o Brasil os holofotes do esporte. Mais um motivo pra não abusar da sorte e cometer tamanha imprudência!

Bom, então, já sabe: se você vir algum dirigente do seu clube negociando patrocínio da Topper, proteste imediatamente. Pelo visto, o efeito é o mesmo que ter o Mick Jagger torcendo na arquibancada…

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Uma resposta to “Quando o marketing dá zica”

  1. Diogo Moraes Says:

    Ahhhh, por um lado você tem razão.
    A Topper também patrocina o Atlético MG e bem…já sabe a situação do time né.

    Mas por outro lado, ela também patrocinava o Estudiantes, campeão da Libertadores do ano passado…

    Vai saber…

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