Aqui não, Luís Vitão!

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Que mulher nunca desejou uma bolsa da Louis Vuitton, Chanel ou Prada? Tais desejos, para a grande maioria, estão longe da realidade pelo fato de ser apenas a alta sociedade que consome, com freqüência, o famigerado mercado de luxo. E como fica o resto da população?

Calma, para tudo dá-se um jeito, ainda mais quando o mercado-alvo é a vaidade feminina: basta uma visitinha na Rua 25 de Março ou qualquer outro centro de comércio popular para comprar a (não tão desejada) Luís Vitão, versão ching-ling da marca italiana.

"Nossa, quanto luxo!"

"Nossa, quanto luxo!"

E camelôs não são privilégios de brasileiros ou paraguaios. Tal atividade informal existe em todos os países, inclusive na Itália, o “berço da moda”,  causando prejuízos bilionários aos produtores das mais prestigiadas grifes que atiçam consumidores de high-end products em todo o mundo.

O combate à pirataria na Europa é extremamente complicado, ainda mais com a expansão do bloco econômico, porque há inúmeras fronteiras e portos os quais a fiscalização é imperfeita, possibilitando a entrada dos produtos falsificados e, consequentemente, sua distribuição para os milhares de camelôs espalhados pelo velho continente.

A mercado do luxo é um dos principais setores de faturamento para a Itália, então tal governo decidiu ir mais além para proteger suas indústrias, objetivando quebrar as duas pontas dessa corrente econômica. Para tanto, resolveu atingir também àquele que consome produtos falsos.

Todo o mecanismo de combate à falsificação começa pelo treinamento de policiais e fiscais para diferenciar um produto la garantia soy yo de um autêntico. Outra medida é, para os novos produtos, a instalação de um microchip (imperceptível aos leigos) em cada produto, identificando lote, data, número de série, loja/distribuidor onde foi comprado, etc. Assim é só passar um leitor no produto para receber todas essas informações.

E o consumidor pego com uma Luís Vitão ou na Itália terá uma pena instantânea: além da apreensão da mercadoria piratex, que será destruída, ele será obrigado ao pagamento do valor correspondente ao modelo correspondente original. E não adianta falar que não sabia, ou que ganhou de presente, ou que é da sua amiga. A pena é para quem portar o produto.

Suíça, outro país com inúmeras e tradicionais grifes, está aplicando uma lei similar. Com isso, Rolex, Patek Philippe, Jaeger-leCoultre e tantas outras marcas de relógios, jóias e canetas conseguem, ao menos, proteger o mercado interno da invasão ching-ling, preservando a fama adquirida de sua secular indústria.

Aos que viajarem pela Europa portando relógios, bolsas, carteiras e outros produtos falsificados, atenção, pois as fiscalizações em aeroportos intensificaram e, se for pego, além de passar vergonha, seu bolso sentirá uma dor muito maior.

Bom seria no Brasil se existisse mesma lei para a população ficar realmente intimidada quando pensar em vestir/utilizar algum produto falsificado. Os consumidores brasileiros não aumentarão significativamente o faturamento da Armani mas, ao desistir do pirata, irão fortalecer as marcas nacionais, a indústria e prestadores de serviços que pagam seus impostos e empregam, desenvolvendo toda a sociedade.

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7 Respostas to “Aqui não, Luís Vitão!”

  1. davicury Says:

    Marcião, apesar de eu ser a favor do combate à pirataria, acho que esse tipo de fiscalização no Brasil iria beneficiar muito mais as marcas estrangeiras do que as nacionais. Afinal, nunca vi Topper, Rainha ou TNG falsificado…rs

  2. neypereira Says:

    E, sem dúvida, o Brasil contribui com grande parcte do lucro dessas marcas luxuososas – haja visto o número delas que têm em São Paulo a única filial na América do Sul.
    Bom seria também se o torcedor de futebol se conscientizasse que cada camisa pirata que ele compra é um golpe no time que ele apóia…

    • Marcio Vieira Says:

      Consciência no Brasil? Só na base de leis, de novos impostos, repressão, etc.. Serão décadas e várias gerações para apagar o “malandrismo” e a Lei de Gerson que reinam no país. Infelizmente, Neyzão. Abçs

  3. Yuri Says:

    Ilustres amigos apimentados, nesse caso já acho que o tratamento não deveria ser o mesmo de, por exemplo, pirataria na música. Diferente de um CD ou download, em que pagar a diferença entre a versão original e o clone, ressarcindo os detentores dos direitos, não está fora do alcance da maior parte do público consumidor, estamos falando de um produto de três, quatro dígitos. Se implantarem uma lei como a da Itália (que pessoalmente, acho extrema) ela vai impactar um público que não seria de forma alguma consumidor do produto. Então, acho que o conceito de prejuízo para as companhias não chega a se aplicar integralmente aí. Claro que não interessa às grifes verem sua marca desfilar por aí em falsificações grosseiras, pois diminui o valor do seu produto, mas em última instância, uma versão fajuta ‘bem feita’ é ao menos alguma exposição e free advertising. Mesmo a indústria da música, que não lida com somas tão grandes no produto individual, não conseguiu virar a mesa justamente porque grande parte dos artistas acaba reconhecendo que a sua principal receita vem de shows, de cachês, de apresentações em programas, etc, e muito pouco da venda de música. E no fim das contas, aquele CD pirata ou free download acaba se tornando divulgação e aumentando o valor do cachê pra shows e apresentações. Por isso a adesão à campanha anti-pirataria não foi tão forte quanto poderia ser, e a indústria pagou o preço de não ter um controle mais transparente das vendas e um contrato mais abrangente com seu cast.

  4. Fernando Says:

    Gostei do post no geral.

    Só achei ruim a parte de impostos. Sou prestador de serviços e fico impressionado com a quantidade de impostos pagos, ainda mais por quem faz mais do que emitir uma nota por mês.

    Blz, vamos lutar contra a pirataria. Mas fortalecer quem paga imposto sem diminuir os impostos, só fortalece os corruptos.

  5. Ppjac Says:

    A Louis Vuitton é francesa

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