Abaixo a criatividade!

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Estive, nestas duas últimas semanas, envolvido com assuntos profissionais e pessoais, mas pensei muito no blog. Queria ter escrito algo antes, mas as ideias me fugiam e não se concatenavam e, quanto mais eu pensava sobre isso, mais me pareciam distantes, ruins.

E aí, o quê você vê?

E aí, o quê você vê?

Até que, em uma dessas minhas interações sociais (aka cervejinha com amigos), percebi qual era o “problema”: Estava tentando escrever/criar algo do nada. Algo sem lastro, sem uma ideia por trás, sem uma razão prévia de existência. E, assim como em muitas das coisas deste mundo, não funciona.

Por conta disso, passei a prestar mais atenção ao que existe nesse espaço do Marketing, no ambiente considerado criativo: Muitas das empresas têm o setor de criação e contratam pessoas “criativas”, mas os tolhem, ao longo do tempo, para que entreguem prazos ao invés de criações. “Obrigam” seus funcionários criativos a criar a partir da folha em branco, seguindo algumas coordenadas (por vezes obscuras e abstratas – conforme eles mesmo dizem), mas se esquecem que a criatividade não surge primordialmente assim. Max Ernst, artista de paisagens surreais, para contornar tal problema, esfregava em suas telas brancas carvão e, a partir de tal imagem aleatória, montaria suas obras-primas.

Até mesmo a Google, com o seu programa de 20%, encoraja seus engenheiros a dedicarem 1/5 de seu tempo profissional para seus projetos pessoais. E não é por conta disso que a empresa é bem conhecida por seu caráter de inovações. Fazer isso seria colocar seus funcionários frente à problemática da folha em branco. Durante esse período pessoal-criativo, estas pessoas participam também de um fórum interno onde podem postar ideias e projetos que lhes interessem. Portanto, quando alguém quiser desenvolver suas capacidades criativas, ao invés de olhar para os céus e rezarem por uma boa ideia surgir “do nada”, pode pesquisar ideias já existentes, projetos em andamento e adicionar seus 2 centavos, colaborando de alguma forma. Claro, ter em mãos um profissional que cria sozinho ideias fenomenais é éxcelente, mas ter um grupo bom que se desenvolve conjuntamente, é tão bom quanto.

Portanto, criações são produtos raros, em sua grande maioria. Sem querer desmerecer o grupo responsável pela criação em agências, mas eles mesmo devem saber que até mesmo o cobrador do ônibus pode vir com uma ideia genial. A criação, no caso, tem de saber polir tal jóia, extrair dela o melhor. Tenho certeza de que os bons profissionais de criação olham muito para o mundo ao seu redor, ao invés de apenas esperar que a folha em branco se torne algo mais.

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4 Respostas to “Abaixo a criatividade!”

  1. Eduardo Salvador Says:

    Excelente Gabriel!
    A tecnologia deveria ser utilizada para ajudar as pessoas, mas invariavelmente tudo têm se tornado “mecanizado” e sem a menor sombra de dúvidas isso suprime toda manifestação de criatividade! Não acredito em criação sem alguma dose de emoção natural que dê valor = “significado”! A linguagem do ser humano é a emoção!
    Muito inspirador e muitos pontos de reflexão!

  2. davicury Says:

    Leia a revista Galileu deste mês. Tudo a ver!

  3. Felipe Caparelli Says:

    E ai Gabriel, blz. Muito bacana o artigo. Uma sugestão para incitar a criatividade, algo muito usado nas agências, são os tais dos brainstorms e suas metodologias malucas de através de uma imersão num universo de dados muitas vezes desconexos se chega a algumas idéias e a partir delas podem ser extraídos produtos, serviços, ou qualquer outra coisa que não me vem a cabeça agora. Um ponto de vista interessante do assunto também é que em geral as grandes invenções ou produtos criativos surgiram de necessidades simples, encontradas nas coisas mais comuns do dia a dia. Simplicidade é a palavra de ordem para a criação.

  4. Rafa Says:

    Fala Gabriel!

    Outro ótimo texto… eu sou da área da criação e já trabalhei em agência, mas agora estou em outra. Justamente por conta desse estresse de prazos alucinantes! Na verdade o que acontece é que você não é obrigado a “criar do zero”, por que isso não existe – ou quase. Todas as criações são fruto de algo que o profissional viu (mesmo que seja subliminarmente) e associou com outras informações. Geralmente o que temos na frente é uma folha de papel em branco mesmo – ou coisas como “isso o ciente já viu e não gostou”. Mas pior do que não ter ponto de partida na criação é mesmo o prazo absurdo. E nisso a máquina do capitalismo é cruel,por que o ato de criação, que deveria ser prazeiroso e buscar o melhor do talento de cada profissional se transforma numa linha de montagem, onde você tem que “tirar o job da frente”, senão não dá tempo do processo (aprovação, revisão, impressão, etc) continuar…

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