Quando a contramão é a solução

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Com o passar do tempo, a sociedade está mais limitada, vigiada, fiscalizada e ameaçada por leis que visam a defesa dos direitos humanos (contra discriminação racial, de gênero, etc.),  mas que, ao invés de unicamente preservar a dignidade, estão restringindo, também, a criatividade. E, nesse caminho, os que ousam chocar a sociedade virão os vilões, os famigerados ‘politicamente incorretos’.

A Nissan, atualmente, resolveu apimentar o mercado publicitário do mundo inteiro com propagandas mais ousadas, tentando chegar o mais próximo do limite legal, afinal, tudo que não é proibido, é permitido.

E resolveu atacar também, de forma bem humorada, seus concorrentes. No Brasil, aproveitando o embalo midiático do sertanejo-pop, batizou a dupla Railuque e Malloque para cutucar suas concorrentes da Toyota e VW, dando a indireta que tais carros são frágeis e para pessoas que priorizam a imagem.

Outras montadoras foram “vítimas”, não só no Brasil, da provocação dos nipônicos. Diversas montadoras tentaram, sem sucesso, mostrar que a ‘dignidade da pessoa jurídica’ foi ferida, e recorreram aos órgãos regulatórios de propagandas, como o Conar, para proibidir a veiculação de tais comerciais.

O núcleo dessa temática sobre chocar o consumidor é social, visto que todos os anos inventam novos termos para proteção da dignidade, ‘bullynismos’ de uma sociedade que está, com o passar de cada ano, mais chata e antissocial, fazendo o judciário, inclusive, ficar perdido ao tentar separar o que fere os direitos humanos daquilo que é apenas uma saudável (e criativa) brincadeira.

A atual geração de profissionais de todas as áreas formou uma mentalidade que foi mergulhada na tecnologia, na comodidade da vida artificial, no medo de andar nas ruas, e na dificuldade de saber conviver e ser sociável. Antes de querer restringir mais a liberdade de expressão, tais pessoas que discutirão novas leis e novas campanhas publicitárias precisam assitir, por exemplo, o Mussum fazer suas brincadeiras com relação à sua raça sem demagogia e falsos puritanismos. Excesso de proteção fomenta, também, a segregação.

Os politicamente incorretos, quando veiculam suas propagandas ousadas, assumem o risco de ações milionárias. No entanto, o risco parece valer a pena pois a Nissan está trilhando, felizmente, na contramão, e assim conseguiu aumentar significativamente seu faturamento no último ano, distanciando sua imagem das montadoras iguais.

Enquanto a sociedade, no geral, engatou a marcha ré, outros aproveitam e dirigem em uma outra direção.

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Uma resposta to “Quando a contramão é a solução”

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