3D morreu.

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A frase acima, apesar de chocante (e talvez um pouco exagerada, é verdade), faz jus à realidade. Desde a estréia e popularização de Avatar (comentados aqui e aqui), que recebeu 71% de sua renda total advindas de projeções 3D, a procura pelas projeções 2D tem aumentado (nos filmes que contam com a tecnologia de tridimensionalidade, logicamente), conforme verificamos aqui. Tal fenônemo se torna ainda mais preocupante se pensarmos que o aumento no número de salas que proporcionam tal tecnologia aumentou exponencialmente, criando alguns problemas até para o público, que pode não encontrar cópias 2D de um determinado filme.

Chega de ter olhos com cores diferentes.

Chega de ter olhos com cores diferentes.

Mas qual a explicação para isso? Excluindo o sucesso de James Cameron, que baseou-se muito mais no hype que envolveu a produção do que no filme em si, muitas das alternativas apresentadas até hoje foram mal executadas. Fazer um filme em 3D não é sinônimo de sucesso, especialmente se esta película for feita em uma plataforma 2D e então transformada em 3D (como por exemplo Duelo de Titãs). Envolver o consumidor na experiência é condição sine qua non para determinar o sucesso. E não é só isso.

Não é a primeira vez que Hollywood tenta se aventurar na tridimensionalidade. Sem voltar muito ao passado (pois existem filmes da década de 50 que exploraram esta tecnologia), podemos citar A Casa de Cera e Inferno como tentativas de se enveredar por estes mares, mas a estrutura de Marketing (e o nível dos filmes) não chegaram aos pés do que James Cameron fez com seu Avatar. Desde vender a ideia de que o filme demorou 17 anos para ser finalizado, passando pela ideia de que todas as filmagens foram feitas em 3D de última tecnologia, toda a concepção de Avatar abriu caminho para que muitos o trilhassem (Alice, Tron, Toy Story 3, etc…).

Uma das principais opiniões contrárias ao 3D vem de Walter Murch, considerado por muitos o maior editor  e designer de som da história de Hollywood (vencedor do Oscar pela trilha de Apocalypse Now, pela trilha e edição de som em O Paciente Inglês – Sem mencionar que foi ele um dos que desenvolveram a tecnologia 5.1 de som, utilizada até hoje). Em sua carta, publicada por Roger Ebert em sua coluna do jornal Sun-Times (link aqui), Murch faz diversas considerações negativas à tecnologia 3D, passando desde o desconforto da utilização dos óculos por um longo período, até como funciona o cérebro enquanto ele processa as imagens e as focaliza, traçando um paralelo com as imagens reais e as produzidas pela sobreposição de imagens (que é, em linhas bem simples, como funciona o 3D).

Não posso afirmar, com total tranquilidade, que o 3D está morrendo. Mas também tenho certeza de que sua popularização e utilização relaciona-se muito mais com uma “modinha” do que algo que veio para ficar. E você, o que acha? Comente abaixo!

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2 Respostas to “3D morreu.”

  1. Lu Says:

    Oi Ga!
    Esses dias fui assistir Enrolados da Disney no cinema, e a sessão normal estava esgotada. Fui obrigada a assistir 3D, o que me rendeu uma bela surpresa! Mas enfim, acho que muita gente deixou de assistir por dois motivos: 1. É caro! As vezes mais do que o dobro de uma sessão normal 2. Muitos filmes resolveram entrar na modinha que vocês citou, e de 3D não tem quase nada, algumas cenas no começo e só.

    Não é novidade que eu sou fã de filmes da Disney, e mesmo assim torci o nariz qnd fui obrigada a assistir o filme em 3D, porém, os estudios do Mickey me surpreenderam e me fizeram virar criança mais uma vez, com efeitos do inicio ao fim. Confesso que tive que me segurar pra não tentar pegar algum objeto que saia do filme!

    Por isso prefiro pensar que quando a modinha passar, teremos apenas filmes 3D de qualidade que realmente tenham efeitos bacanas e que valham o valor sem noção que pagamos no ingresso. (Espero tb que o valor do ingresso diminua com o tempo!)

    bjs

  2. Gabriel Mafra Says:

    Se o 3D realmente se tornar algo constante comercialmente, com certeza o preço para se consumir diminuirá (ou ao menos não elevará). Mas ainda acho que, infelizmente, o 3D é muito mais hype do que propriamente algo que chegou pra ficar (diferentemente de tablets, por exemplo).

    Penso isso por questões fisiológicas mesmo. Nosso corpo tem problemas no processamento de informações 3D, problemas no excesso de exposição a tais imagens (conforme explicou Walter Murch). Mas é o que eu penso. Só o tempo vai nos dizer se estou certo ou não!

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