O que as marcas podem fazer pelo cinema

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Quem pilota esse skate voador?

Um cara tatuado e barbudão, pinta de bad boy, chega no posto de gasolina. Estaciona a moto e entra na loja de conveniência. Tira os óculos escuros, pede um maço de cigarros e um refrigerante (pra rebater a ressaca). Já fora da loja, pega o isqueiro no bolso da calça jeans. Imaginou a cena? Agora responda: quais as marcas destes produtos mencionados acima? Se tivesse que apostar, cravaria, pela ordem: Harley Davidson, Ray Ban, Marlboro, Coca Cola, Zippo e Levi’s. Porque? Porque é assim que a vida é, meu caro.

Quando bem aplicada, aquela montanha de dinheiro que as marcas investem em marketing lhes garante uma vaga num lugar muito importante: o imaginário popular. E aí, é correr pro abraço. Hollywood é um grande termômetro para o fenômeno. A exibição de marcas em cenas de filmes é um caso típico de ganha-ganha. Obviamente, o correto product placement traz muitos dividendos às empresas. E quando a seleção destas marcas é feita de maneira criteriosa, pensando não só no tamanho do cheque, elas emprestam ao filme algo crucial: veracidade.

Por exemplo: quando Bruce Wayne quis mostrar à sociedade de Gotham que tinha dinheiro a dar com pau e sabia torrá-lo, desfilou a bordo de uma Lamborghini, e deu o recado da forma mais veemente possível – sem dizer uma palavra. A FedEx e a Wilson deixaram a história de “Náufrago” bem mais próxima do consumidor. E em 2010, 30% dos filmes que atingiram o topo das vendas de ingresso mostraram pelo menos uma vez a maçãzinha da Apple.

Porque diabos estes Mini estão descendo as escadas?

Aqui nos trópicos, erros e acertos. Em “Os Normais”, Tony Ramos e Gloria Pires dirigem veículos Honda, assim como grande parte da classe média nacional – ponto pro filme. Mas assistindo Bruna Surfistinha, senti em vários momentos que o uso de algumas marcas poderia dar força às cenas. Quando a protagonista comemora o sucesso com amigas em uma balada, por exemplo, uma garrafa de Veuve Clicquot sem dúvida daria mais pegada ao momento do que a champanhe fictícia mostrada. Em contrapartida, vi vários risinhos cúmplices quando mostrou-se o luminoso do Love Story – a imagem da casa é bem conhecida, e é bem provável que a Bruna elegesse mesmo o lugar para seu, digamos, happy hour.

Quem serviu café no Starbucks?

Estes acordos não são tão fáceis de costurar – marca e produtora podem entrar numa queda de braço pra ver quem precisa mais de quem, ou se o filme casa com a proposta do produto. Em tempos politicamente corretos, é preciso também ficar atento à legislação: em muitos países, mostrar nome de cigarro ou bebida pode dar bastante dor de cabeça. Não seria o caso de rediscutir estas regras em nome de maior verossimilhança? Muitas marcas foram consolidadas junto ao grande publico justamente em filmes de sucesso. Da mesma forma, diversos filmes foram alavancados pela força emprestada por produtos famosos.

Onde foi usado esse chamativo Nokia?

Alguns diretores têm moral suficiente para fazer de suas marcas fictícias produtos cult: em “Deathproof”, Tarantino cita o Big Kahuna Burger , e seus personagens fumam Red Apple Tans. Ambas as marcas são criações do diretor, e aparecem em vários de seus filmes, realimentando seu status. As marcas fictícias são mescladas a outras bem reais, como Red Bull, Chevrolet e Dodge, que trazem peso e têm relevância na historia.

Quem é o cabra segurando a Pepsi?

À medida que o cinema nacional ganha em qualidade e poder de barganha, é de se esperar que mais empresas queiram se associar a ele. É importante que as produtoras nacionais percebam que o adequado das marcas pode fazer muito mais por um filme do que ajudar a fechar as contas. Todos ganham com isso: a marca tem retorno de mídia, o filme fica mais real, e o consumidor/espectador vê na tela aquilo que ele efetivamente compra – e não somente o que as empresas acham que ele deveria comprar. QUIZ: Você sabe em quais filmes foram mostradas as marcas das fotos?

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5 Respostas to “O que as marcas podem fazer pelo cinema”

  1. Margot Says:

    Sean Penn – Uma lição de amor.
    Uma saída de mestre
    Mike Myers – Quanto mais idiota melhor.

    Fico devendo Nokia. Mas tem cara de Homens de Preto.

  2. evelyn Says:

    Muito legal!!!!!!!
    Meus palpites:
    Back to the Future-Michael J. Fox
    Harry Brown – Michael Caine(?)
    Uma Lição de Amor – Sean Penn
    Timecop – Van Damme-(?)
    Mike Myers – Quanto mais idiota melhor
    abs.,

  3. Luciana Camilo Says:

    Bem bacana o post ney. Ai vão os meus palpites:

    Back to the future
    The Italian Job
    I am Sam
    O Nokia não faço a mininma idéia.
    Wayne’s world

    Ps: O Tony Ramos e a Gloria pires fizeram o filme “Se eu fosse você” e não “Os Normais”
    Beijos
    Luri Luri

  4. Evelyn Beschizza Says:

    Muito bom o post mesmo! Estava curiosa pra ver o resultado da discussão que tivemos sobre o assunto! Vc sempre me surpreende, meu bem! Não vou me arriscar a responder o quiz pq acho que não vi nenhum desses filmes…
    Por final, reiterando o que a Luri Luri disse, o filme do casal global é “Se eu fosse você”. “Os Normais” é com a Fernanda Torres e o Luiz Fernando Guimarães.
    Beijim

  5. davicury Says:

    Taí um belo exemplo

    http://www.omelete.com.br/galeria/capitao-america/Wallpaper-1024x768_03/?slug_conteudo=capitao-america-novo-featurette-e-mais-wallpapers

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