Invadiram sua praia!

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É, meu amigo. Trouxeram a farofa, a galinha e o celular tocando funk. Tá todo mundo lá. Além da galera da faculdade, do pessoal que fez intercambio contigo, da gatinha que você conheceu na balada, agora você também esbarra com o filho da empregada, o office boy da empresa.“Virou Brasil”, dizem.Pô… você e mais meia dúzia de amigos chegaram por aqui bem antes. Desbravaram a estrada, e tudo o mais. Por um bom tempo, era um lugar só seu e dos seus amigos mais chegados, pouca gente.Mas de repente baixou por aqui aquela galera lá do litoral sul. Com suas músicas, gírias e brincadeiras. É de lascar.

E aquele lugar pra onde todo mundo queria ir, de repente, virou brega, cafona, démodé.

Então você resmunga, e começa a enrolar o guarda sol, pensa em entrar de volta no jipinho importado e tocar pra outra praia – são milhares de quilômetros de litoral a explorar.

Mas não é assim tão simples. Não basta abandonar aquele que costumava ser seu lugar preferido: é preciso espinafrá-lo, debochar e deixar bem claro que você não faz parte daquela gentalha que chegou depois. Você era daqueles pioneiros, que chegou por aqui nos bons tempos. Descobriu esse lugar quando pouca gente vinha pra cá. E agora tem horror, paúra, faniquito do que ele se tornou. Mas ainda bem que você descobriu uma praia nova, e vai correr pra lá com seus amigos. Lá é legal, tem pouca gente, um povo bonito e de bom gosto. Vamos aproveitar enquanto o povão não descobre esse lugar também!

*Este é um texto satírico
Historicamente, a classe média brasileira tem horror à equalização social, e não suporta ter que dividir seus espaços – praias, baladas, redes sociais, shopping centers, aeroportos – com gente egressa de outros níveis da pirâmide. 
O Blog da Pimenta convida todos a tentarem conviver com as diferenças.

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13 Respostas to “Invadiram sua praia!”

  1. Fabi Says:

    Ney… Belo post!!!
    Parabéns..

  2. Camila Sander Says:

    Conviver e se moldar às diferenças.
    Lembrando que dessa forma o comércio muda e o seu público alvo também. Isso se você quiser continuar no mesmo local em que se encontrava.

  3. Margot Says:

    Ou seja; gente diferenciada pra longe de mim. Seja em higienópolis ou nas redes.

  4. Nancy Says:

    Conviver com as diferenças!!
    É um convite bastante ousado!
    Parabéns pela sua coragem e pelo seu questionamento de alguns preconceitos!
    Claro que cada um tem o livre arbítrio de escolher onde e quem quer frequentar…e isto deveria valer para todos!
    Se isto pudesse ser realmente viabilizado com harmonia, o mundo teria descoberto a fórmula de viver sem guerras!

  5. Camila Sander Says:

    obs: no meu caso, ou você se molda ou você afunda.

  6. Felipe Felicio Says:

    Boa neyzão,,, até porque, se pararmos para pensar….. nós somos a gentalha perante a classe triple A….e com certeza fariamos eles irem para outro lugar….

    Mas somos limpinhos, não?

  7. Carmen Says:

    Muito bom,meu filho, bem escrito e muito bem posicionado.

  8. evelyn Says:

    Nossa, que lindo este texto!!! Ele incorpora tantos valores, valores de beleza, inteligência, coragem, criatividade,… Acho que dinheiro não é o único valor, se fosse não existiria um Machado de Assis, Elvis Presley, Louis Armstrong, Charles Dickens, …… Parabéns!!! bjs. Evelyn

  9. Evelyn Beschizza Says:

    Lindo texto! :,)

  10. Pedro Says:

    Eu curto cachoeiras mais vazias, mas não é pelo “naipe” das pessoas. É porque simplesmente não tem criança berrando na cabeça, não tem saco plástico e lixo em geral jogado por todo canto, não tem 40 rádios diferentes cada um tocando um som… O problema não é a classe social, é o nível de educação e a própria quantidade de pessoas que um lugar comporta. Acho complicado vincular essa “necessidade por exclusividade” necessariamente a um sentimento de intolerância sócio-econômica – pois nem sempre ele é seu motivador.

    • Gabriel Mafra Says:

      Nem sempre o é, concordo contigo, porém infelizmente é a maioria. Assim como brasileiros são mal vistos lá fora por serem “barulhentos” e aí não interessa a classe social da pessoa e muito menos em qual quantidade estamos.

    • davicury Says:

      Uma coisa é fato: educação não depende de poder aquisitivo. Temos muitos amigos de classe A que ainda jogam bituca de cigarro no chão e acham OK parar o carro em vaga de deficiente.

      • Pedro Says:

        É isso aí que tô falando… Educação e classe social não dependem uma da outra, tem muito rico porco por aí. Mas entendo que existe mesmo um a certa soberba na classe média, uma vontade de ser como os ricos e famosos,
        contraposta por um desprezo à “gentalha”.

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