BRASIL-$IL-$IL

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Grita, Galvão!!

Pois é, a falta de heróis da pátria de chuteiras nas manhãs de domingo fez Galvão Bueno buscar novos ares, selecionando os mais importantes eventos de cada esporte e deixando o resto para o Cleber Machado e o Galvãozinho. A queda da audiência da Fórmula 1 é justificada pelos maus resultados dos pilotos tupiniquins, no entanto, a essência da mudança de foco da mais famosa voz do esporte é o de sempre: o lucro.

A Globo estipulou em R$ 8.500.000,00 (oito milhões e meio de reais) cada cota para anunciantes, cinco no total, exporem suas marcas na transmissão do UFC. E o risco é grande de lutas terminarem em 1 minuto, como aconteceu no primeiro evento televisionado pela emissora carioca.

Mais ainda, a divulgação de que seria o não-tão-querido narrador, dias antes, causou um reboliço nas redes sociais, aumentando ainda mais a busca por notícias sobre o esporte, que antes era assistido apenas pelos lutadores e admiradores do esporte, e que agora é motivo de encontros de amigos nas madrugadas de sábado, incluindo as mulheres.

A cadeia econômica do MMA vai atingindo novos elos, rompendo a barreira das academias e materiais esportivos. Agora o crescimento ganhou o principal elo dessa corrente: a Globo e sua lavagem cerebral.

Galvão Bueno é a maior ferramenta de fidelização de telespectadores. Sua gritaria desenfreada causa amor e ódio em milhões de pessoas, porém a grande maioria não consegue se desvincilhar do narrador, mesmo que para descarregar críticas em cima dele, mas que dão cada vez mais pontos de audiência que, consequentemente, aumenta o faturamento da Globo em horários os quais haviam poucas opções.

Sabiamente as garras da emissora vão angariando novos programas e artistas, tudo para evitar não o aumento da audiência dos concorrentes, mas sim a queda de seu IBOPE. Medidas pouco éticas associada com a desproporção econômica dificultam a liberdade e criatividade de outras emissoras, todavia, é inegável a perspicácia de fomentar novas paixões aos brasileiros.

Após a morte de Senna, venderam a imagem de Barrichello, e depois Massa, como sucessores do tricampeão, como salvadores do orgulho nacional, do patriotismo aflorado nas mãos e corações calejadas e sofridas dos brasileiros, mas a verdade é que venderam uma ideia com a intenção de manter a audiência, justificando os altos valores das cotas nas manhãs de domingo.

No entanto, houve certo fracasso no plano global, não por culpa de tais pilotos porque tais sucessores foram competentes, merecedores de respeito, porém a injeção de paixão a partir da voz de Galvão Bueno fez criar a esperança de que eles poderiam entrar para o grupo de campeões, de ídolos, como a Globo desejava.

Já que o desejo global não foi cumprido, é momento de Galvão soltar seus berros em outros esportes, e o batizo de novos heróis no MMA será muito mais fácil por vários motivos, como a competência de diversos lutadores nacionais, o número grande de categorias separados por peso e, principalmente, o desconhecimento por grande parte dos brasileiros fará rapidamente “gladiadores do terceiro milênio” virarem heróis na terra do futebol.

Não serão poucos os novos ídolos do MMA a desfilar pelo Faustão, Jô Soares, Luciano Huck entre outros âncoras populares da emissora, tudo como o objetivo de atrair a audiência para as lutas, justificando o altíssimo valor das cotas para as madrugadas.

A Globo adora colocar no pedestal esportistas bons, mas longe de serem figuras heróicas, e esperneios galvanísticos como “acabooooou, acabooou, é campeão do muuuundo” são métodos sensacionalistas para fidelizar o desconhecimento da maioria da população, distorcendo imagens e supervalorizando atletas os quais a crítica especializada não trata da mesma forma.

Criar “gênios do esporte” (outro bordão de Galvão) gera um lucro astronômico para as redes que detém os direitos de transmissão de cada esporte, tudo para apaixonar a população para que fiquem ligados na telinha, enganando o telespectador.

Já que a música tema da vitória de Senna não toca mais, é necessário cobrar caro para soltar no ar o famoso “Bra$il-$il-$il” com o maior número de cifrões possível.

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Uma resposta to “BRASIL-$IL-$IL”

  1. evelyn de castro heeren Says:

    Li recentemente um artigo entitulado “Messi é o maior ou melhor jogador?” falava sobre a criação de mitos, onde o maior significava identificação com o povo, carisma e habilidades técnicas e o melhor levava em conta mais o aspecto técnico. Acho que tem muito a haver com o artigo acima.Talvez devessem mudar um pouco esse esquema de criação de mitos e de heróis. Messi vem quebrando recordes e é considerado o melhor mas é difícil dizer se vai ser considerado o maior como Maradona, Pelé, por exemplo. Excelente texto!!!!!!!! Saudades dos posts de vcs!! abs.

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